The Girl with the Dragon Tattoo (EUA, 2011) Cotação: **1/2
Suspense, 158 min.

Por Houldine Nascimento
Qual é o sentido de refazer algo lançado não faz muito tempo e ainda por cima bem-sucedido? Essa é uma das tantas manias controversas que Hollywood tem. A indústria cinematográfica estadunidense costuma usar a justificativa de que o público de lá não tem o hábito de acompanhar histórias sem serem retratadas na sua língua, o que, a meu ver, é vergonhoso. Na esperança de pegar carona no êxito da versão sueca (Män som hatar kvinnor), levada ao cinema em 2009, a Columbia tratou de (re) adaptar o best-seller do escritor Stieg Larsson (falecido em 2004), Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres, primeira parte de uma trilogia, publicado no ano seguinte a sua morte.
Em linhas gerais, o longa-metragem de David Fincher (“Seven”, “Clube da Luta”, “O Curioso caso de Benjamin Button”, “A Rede Social”) traz a mesma trama, embora tente dar uma cara diferente. A história de um jornalista, Mikael Blomkvist (o 007 Daniel Craig, que até vai bem), que, após ser condenado pela justiça por acusar sem provas um empresário numa matéria feita para a revista onde trabalha, a Millennium, recebe convite do magnata Henrik Vanger (Christopher Plummer) para investigar um suposto assassinato de uma sobrinha, cometido há quase 40 anos. Mikael contará com a ajuda de uma hacker, Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma figura dark, perturbada, considerada insana pelo Estado e que passou por momentos de extrema dureza até chegar ali. Juntos, enfrentarão empecilhos até solucionarem o caso.
Sempre que aniversaria, Henrik recebe uma flor emoldurada de um anônimo, quem acredita ser o criminoso. Isso reavivou o desejo em esclarecer o desaparecimento de sua sobrinha. Ele suspeita que alguém de sua família a tenha assassinado para impedi-la de herdar o império. Outro fator importante é que alguns dos membros do clã tiveram ligação com o nazismo. Somam-se a isso algumas pistas, incluindo assassinatos contra mulheres e citações que envolvem a Bíblia.
As comparações são pertinentes e inevitáveis. Por mais que Fincher tente deixar sua marca, adicionando elementos que diferem do filme de 2009 (o final foi alterado, e isso talvez provoque mais raiva dos fãs do livro), a essência é a mesma, com várias sequências emuladas do antecessor. A diferença reside no fato de Fincher não ter o tato de aliviar no momento necessário, algo que Niels Oplev soube executar muito bem. Um exemplo disso está na figura do tutor de Lisbeth, que no longa sueco era irônico, debochado, mas que se tinha noção de sua periculosidade, e aqui parece um andróide, sem expressividade alguma. Ainda assim, o sueco consegue ser mais impactante. Nas cenas de maior força, Mr. Fincher parece hesitar.
O que faz repetir o questionamento do começo: qual o sentido de refilmar o que deu certo? E por que raios um cineasta como David Fincher aceitou entrar numa furada dessa? Não dá para entender… Com um orçamento de 90 milhões de dólares (até agora arrecadou pouco mais de US$ 94 mi nos Estados Unidos – foi lançado por lá faz mais de um mês –, distante de se pagar) e cinco indicações ao Oscar 2012 (atriz – para Rooney, o que muitos questionam –, montagem, fotografia, edição de som e mixagem de som), talvez funcione para quem não tenha visto o original.

