
Por Juca Kfouri
Beirou à loucura total, a partir do vigésimo minuto, quando André Santos cruzou, Jorge Henrique se antecipou e fez 1 a 0 no anestesiado Inter, porque, afinal, o Inter não perde, os árbitros é que o prejudicam, segundo seu adorado cartola mór.
E o estádio pareceu à beira do Tietê, não do Guaíba, quando o mesmo André Santos, aproveitou o embalo de Johannesburgo e aterrissou com um golaço, daqueles de lavar a alma, a garganta e o coração, aos 28.
Cinco minutos depois foi a vez de Felipe fazer o seu gol, ele que podia levar quatro e assim mesmo ser campeão da Copa do Brasil.
Mas fez uma ótima defesa em tiro de Nilmar, cara a cara.
De branco, como quando foi campeão mundial, o Inter era amplamente superado pelo Corinthians de camisa listrada, como em 1977.
Aos 36 Ronaldo perdeu um gol imperdível, entregando para Lauro, talvez porque não precisasse, ao contrário do gol que fez no Pacaembu, roubado, como se sabe, basta lembrar de como os jogadores colorados reclamaram, imediatamente.
E assim acabou o primeiro tempo, 2 a 0, de acordo com o melhor dos sonhos alvinegros.
Se o primeiro título da Copa do Brasil foi conquistado no Olímpico, o terceiro era no Beira-Rio, em homenagem ao centenário do anfitrião.
Que, desgraçadamente, apesar de seu timaço, não conseguiu disputar a Libertadores em ano tão importante, ao contrário do Corinthians, que lá estará no seu centésimo ano de vida.
O segundo tempo foi levado em ritmo de festa.
O time gaúcho, até agora apenas campeão gaúcho e em vias de perder até a Supercopa para a LDU, tentava ao menos salvar as aparências diante de sua gente.
E o paulista apenas fazendo o tempo passar, esperando o apito final, quem sabe logo ali pelos 30 minutos, porque alguma ajuda era razoável que se esperasse, Carvalho!
Era a primeira derrota do Inter para time brasileiro neste 2009 no Beira-Rio.
Taison, aos 20, deu lugar a Andresinho.
O Inter lutava bravamente, exigia atenção e defesas de Felipe, valorizava, enfim, a vitória corintiana.
Só se ouvia uma torcida cantar.
Cantava que o “Coringão voltou”.
André Santos fazia sua melhor partida com a camisa corintiana e o time todo se comportava como um time de campeões, Ronaldo um pouco menos, porque é muito mais.
Mas ele, André Santos, deu azar e acabou dando o gol colorado para Alecsandro, aos 25.
Estava 4 a 1, no placar agregado.
Faltam quatro gols para o bicampeonato colorado, mas, ao menos, sua torcida voltou a cantar e abafar o coro corintiano, aquele do bando de louco.
O mesmo Alecsandro, aos 29, Alecsandro empatou em Porto Alegre: 4 a 2.
Então Boquita entrou no lugar de Cristian, machucado.
Antes, D’Alessandro, patético, foi expulso, e quis levar junto o capitão William, que o evitou profissional e friamente, como se ele fosse aquilo que mostrou ser, um bobão, autêntico discípulo de Fernando Carvalho.
E Diego entrou no lugar de André Santos.
Os dois técnicos também foram expulsos e, aos 35, Felipe salvou uma cabeçada de Magrão que tinha endereço certo.
O Inter seguia invicto diante de brasileiros em sua casa no ano de seu centenário.
Jean substituiu Dentinho e Elias foi expulso aos 37.
O Inter queria ganhar no grito, jogava para a torcida e havia corintiano que caía na dele.
Mas a faixa já tinha escolhido o peito que iria enfeitar.
Aquela mesma que o cartola colorado teve o privilégio de mostrar, em primeira mão, para todo o Brasil.
O foguetório que faltou para a Seleção Brasileira, que merecia, tomou conta da noite paulistana.
“Não pára, não pára, não pára!!!”.